PEGADAS DA VIDA (19/05/2026) -
Caminhei ontem pela praia ao fim da tarde, quando o sol já se rendia ao mar e pintava o céu de laranja queimado. A areia ainda guardava o calor do dia, mas os meus pés deixavam marcas fundas, quase feridas, como se o peso do tempo tivesse decidido acompanhar-me naquela caminhada.
Olhei para trás. As pegadas eram irregulares: umas firmes e direitas, de quem sabe para onde vai; outras tortas, hesitantes, como se tivessem tropeçado em dúvidas ou medos. Havia sítios onde as ondas já as tinham apagado, deixando apenas uma sombra húmida na areia. Em outros, o vento soprava leve e começava a cobri-las de grãos novos. Em breve, nada restaria.
Pensei então em quantas pegadas deixamos pela vida sem nos darmos conta. As primeiras, pequenas e incertas, no chão da casa dos pais. As pegadas rápidas e saltitantes da infância, correndo atrás de…
